# Página Inicial

Bem-vinde  ao nosso SDK, o código fonte do universo do Cordel Sideral.

![Arte por NextMars](https://content.gitbook.com/content/gjZI7eQohXodPFK1KIXD/blobs/gghlYpCuJdZFye0ea2WR/cs_01%20\(1\).jpg)

Parece estranho chamar um projeto literário de *open source*, mas é exatamente isso o que o Cordel Sideral é. Entenda abaixo o que isso significa e saiba mais sobre o nosso **SDK** (***Story Development Kit***, "Kit de Desenvolvimento de Histórias"), que você encontra disponível neste site.

## O que é o Cordel Sideral?

Já imaginou o que aconteceria se o espaço fosse povoado pelo **Brasil**, e não por nações de “primeiro mundo”? O **Cordel Sideral** é uma fantasia espacial que conta a história de gente de tudo quanto é canto, cor, etnia, língua e credo, que enche o Sistema Solar de vida e nos faz ter esperança de que o futuro não será tão sombrio quanto imaginamos... se nos unirmos para lutar por ele!

Saiba mais sobre nós no nosso [site oficial](https://cordelsideral.com).

## Apresentando o SDK do Cordel Sideral

Nosso SDK nada mais é do que uma coletânea de materiais que descrevem o universo ficcional do Cordel Sideral, agrupados na forma de uma documentação gratuita e de livre acesso.

Você pode entendê-lo como um manual para o nosso universo, ou mesmo uma enciclopédia, onde descrevemos em minúcias diversos elementos dele, tais como: sistemas políticos, línguas, tecnologia, localidades, personagens, acontecimentos históricos, etc.

Você pode ajudar a expandir o SDK adicionando a eles suas próprias ideias, ou mesmo utilizá-lo para dar vida às suas próprias criações, sejam elas literárias ou não.

Saiba mais sobre o SDK acessando a página abaixo:

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[Sobre nosso SDK](/primeiros-passos/sobre-nosso-sdk)
{% endcontent-ref %}

## Um projeto livre e aberto para todas as pessoas

Nós acreditamos no poder da colaboração para a criação de histórias plurais, inclusivas e de qualidade. Foi por isso que abrimos o Cordel Sideral ao mundo.

Qualquer pessoa pode ajudar a expandir nosso universo ou utilizá-lo em suas criações (inclusive para fins comerciais), contanto que as distribua sob a mesma licença [**Creative Commons CC BY-NC-SA 4.0**](/primeiros-passos/termos-de-uso).

Saiba mais sobre a licença acessando a página abaixo:

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[Termos de Uso](/primeiros-passos/termos-de-uso)
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# Sobre nosso SDK

O que é o Story Development Kit (SDK) do Cordel Sideral?

![Arte por TsuneoMP](https://content.gitbook.com/content/gjZI7eQohXodPFK1KIXD/blobs/pw4axkoYH9OIIuBoWmih/cs2.jpg)

O **Cordel Sideral** é um projeto de ficção *open source*. Qualquer pessoa pode contribuir com a expansão do nosso universo ou criar suas próprias histórias, ilustrações, vídeos e outros tipos de conteúdos inspirados por ele.

Isso é possível porque disponibilizamos a documentação do nosso universo ficcional sob a licença [Creative Commons CC BY-NC-SA 4.0](/primeiros-passos/termos-de-uso). Essa licença permite o livre compartilhamento e adaptação do material, mesmo para fins comerciais.

A documentação do Cordel leva o nome de **SDK** (*Story Development Kit*, ou "Kit de Desenvolvimento de Histórias"), uma adaptação da sigla idêntica usada no desenvolvimento de softwares, que, naquele caso, significa *Software Development Kit*, ou "Kit de Desenvolvimento de Software".

A melhor forma de se entender o que é o SDK é pensar nele como uma enciclopédia ou um manual para o universo ficcional do Cordel Sideral, onde você encontra descrições detalhadas dos principais elementos que o compõem.

{% hint style="info" %}
O SDK oficial do Cordel Sideral é frequentemente atualizado e disponibilizado exclusivamente no site <https://sdk.cordelsideral.com>.
{% endhint %}

## O que está incluído no SDK?

Os seguintes materiais são incluídos na distribuição oficial do SDK do Cordel Sideral e descritos em detalhes na forma de textos:

| Material                  | Descrição                                                                                                |
| ------------------------- | -------------------------------------------------------------------------------------------------------- |
| **Acontecimentos**        | Acontecimentos históricos.                                                                               |
| **Biologia**              | Fauna, flora e espécies dos planetas habitados.                                                          |
| **Grupos e Organizações** | Grupos e demais organizações.                                                                            |
| **Idiomas**               | Idiomas falados pelos habitantes de diferentes planetas.                                                 |
| **Localidades**           | Planetas, cidades e outras localidades.                                                                  |
| **Magia**                 | Descrição de poderes mágicos e seu uso.                                                                  |
| **Personagens**           | Biografias de personagens.                                                                               |
| **Sociedade**             | Organização social no espaço habitado, incluindo sub-seções como Política, Economia, Religião, e outras. |
| **Tecnologia**            | Tecnologia em uso no espaço habitado.                                                                    |
| **Textos de importância** | Textos criados por personagens ficcionais do universo habitado, como poesias, artigos e notícias.        |

## Com que frequência o SDK é atualizado?

O material é frequentemente atualizado com novas adições e correções. Todas as atualizações são versionadas, significando que:

* Cada grande atualização, chamada de *release*, possui um nome próprio e um número único, como 1.0, 2.0, 3.0, etc;
* Alterações menores são lançadas dentro de um mesmo release e podem ser numeradas de diferentes formas, dependendo da sua complexidade. Ex: 1.1, 2.3, 2.1.2, etc;

Saiba mais sobre as versões já lançadas do nosso SDK acessando a página abaixo:

{% content-ref url="/pages/-MfnVid-AFyz-dA0m9oL" %}
[Roadmap](/story-development-kit/changelog)
{% endcontent-ref %}

As atualizações do SDK são planejadas com antecedência e, em geral, estão ligadas ao lançamento de novas histórias ou outros conteúdos do Cordel Sideral. Entretanto, atualizações desconectadas das histórias também podem ocorrer.

Você pode acessar o nosso roadmap, que mostra o planejamento de futuras atualizações, clicando [neste link](/story-development-kit/changelog).

## Como utilizo o material do SDK?

Se deseja saber mais sobre como colaborar com a expansão do nosso universo, acesse a página abaixo:

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[Contribuindo com o SDK](/primeiros-passos/contribuindo-com-o-sdk)
{% endcontent-ref %}

Se deseja saber mais sobre como utilizar o SDK em suas próprias criações, acesse a página abaixo:

{% content-ref url="/pages/-MfmrkyWpCza07FQBRml" %}
[Utilizando o SDK](/primeiros-passos/utilizando-o-sdk)
{% endcontent-ref %}

## Por que o nome "SDK"?

Como o Cordel Sideral é um projeto de ficção científica, não conseguimos perder a oportunidade de nomear a documentação do nosso universo de "SDK", *Story Development Kit*.

A sigla é muito presente no desenvolvimento de software, contexto em que um SDK (*Software Development Kit*), desempenha o mesmo papel que a nossa documentação.

Além disso, somos fãs de trocadilhos e piadas do tipo e não conseguimos resistir à tentação :sweat\_smile:

## Permissões de uso

Saiba o que você pode e não pode fazer com o SDK acessando a página abaixo:

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[Termos de Uso](/primeiros-passos/termos-de-uso)
{% endcontent-ref %}


# Contribuindo com o SDK

Saiba com ajudar na expansão do universo ficcional do Cordel Sideral.

<figure><img src="https://content.gitbook.com/content/gjZI7eQohXodPFK1KIXD/blobs/ag94oEzIZ6hQH0DxheJv/cs3.jpg" alt=""><figcaption><p>Arte por grandfailure</p></figcaption></figure>

Como o Cordel Sideral é um projeto aberto, qualquer pessoa pode contribuir com ideias, sugestões, personagens, localidades, histórias... e o que mais desejar :blush:

Ao colaborar, você ajuda a expandir o nosso universo ficcional e possibilita que contemos histórias inspiradas nas suas contribuições, tornando-se parte ativa desse universo.

## Colabore, crie e faça o que desejar

Você pode contribuir da forma com a qual se sentir mais confortável, por exemplo:

* Inscrevendo-se gratuitamente na nossa [newsletter](https://newsletter.cordelsideral.com) e tomando decisões que afetam a história;
* Explorando nosso SDK, uma coletânea de materiais diferentes que descrevem nosso universo ficcional, no site [https://sdk.cordelsideral.com](https://open.cordelsideral.com);
* Fazendo sugestões ao SDK, interagindo conosco nas redes, comunidade, ou enviando um e-mail para <sdk@cordelsideral.com>;
* Seguindo-nos no [Instagram](https://instagram.com/cordelsideral) e participando de quizzes e outras atividades.

## Fale conosco

Caso tenha alguma dúvida, envie um e-mail para <sdk@cordelsideral.com> e te ajudaremos. E lembre-se: qualquer pergunta é válida.


# Utilizando o SDK

Como copiar, distribuir e editar o SDK do Cordel Sideral?

*Estamos trabalhando nesta página e ela será disponibilizada em breve.*


# Termos de Uso

Quais os termos de uso do SDK do Cordel Sideral?

O SDK (Story Development Kit) do Cordel Sideral é disponibilizado sob a licença **Creative Commons Atribuição-CompartilhaIgual 4.0 Internacional (CC BY-NC-SA 4.0)**.

{% hint style="warning" %}
**Importante.** Leia esta página com atenção. Ao fazer uso de qualquer material presente no nosso SDK, você concorda com os termos da licença descrita aqui.
{% endhint %}

## Sobre a licença

* Você pode encontrar uma descrição simples da licença **CC BY-NC-SA 4.0** no site do Creative Commons, [clicando aqui](https://creativecommons.org/licenses/by-nc-sa/4.0/deed.pt_BR);
* Uma descrição completa está disponível no mesmo site, [neste link](https://creativecommons.org/licenses/by-nc-sa/4.0/legalcode.pt).

## O que posso fazer com o SDK?

### Você pode...

* Copiar e redistribuir o material em qualquer suporte ou formato;
* Remixar, transformar, e criar a partir do material para qualquer fim, mesmo que comercial.

### Você deve...

* Usar nosso SDK para suas criações. É esse o material que licenciamos sob Creative Commons, ele é um conjunto de descrições históricas, de personagens e localidades do universo ficcional do Cordel Sideral;
* Dar o crédito apropriado, prover um link para a licença e indicar se mudanças foram feitas. Você deve fazê-lo em qualquer circunstância razoável, mas de nenhuma maneira que sugira que o Cordel Sideral, as pessoas autoras ou colaboradoras, apoiam você ou seu uso do material;
* Se você remixar, transformar, ou criar a partir do material, tem de distribuir as suas contribuições sob a mesma licença que o original. Isso significa que qualquer pessoa poderá expandir suas criações e elas também poderão ser incorporadas ao cânone do Cordel Sideral.

### Você não pode...

* Utilizar o material original do SDK para fins comerciais (embora suas criações com base no SDK possam ser utilizadas para esse fim). Uso comercial é o uso primeiramente dirigido à obtenção de uma vantagem comercial ou compensação monetária;
* Aplicar termos jurídicos ou medidas de caráter tecnológico que restrinjam terceiros de fazerem uso do material derivado do uso do SDK, desrespeitando, assim, os termos da nossa licença.

## Sobre o material licenciado no SDK

### O que está licenciado?

* O conteúdo licenciado corresponde ao material disponibilizado no site <https://sdk.cordelsideral.com>.

### O que *não* está licenciado?

* Logotipos, marcas, e nomes do Cordel Sideral;
* Ilustrações, vídeos, e outras artes não textuais, exceto se incorporadas ao SDK;
* Conteúdos contidos em livros, histórias, ou outros materiais criados pelas pessoas autoras ou colaboradoras do Cordel Sideral, que não estejam explicitamente incluído no SDK;
* Qualquer elemento que não esteja explicitamente incluído no SDK.

{% hint style="danger" %}
Você ***não*** está autorizade a utilizar os elementos listados na seção "O que não está licenciado", presente acima. Caso deseje fazer uso deles de alguma forma, entre em contato conosco pelo e-mail <contato@cordelsideral.com>.
{% endhint %}


# Roadmap

Atualizações e mudanças no nosso SDK.

## 0.1 alpha

{% hint style="warning" %}
Esta versão encontra-se atualmente em desenvolvimento. Você terá acesso aos materiais no site do SDK conforme forem publicados.
{% endhint %}

A versão **0.1 alpha** do SDK do Cordel Sideral cobre a **Era do Povoamento** e conterá as seguintes entradas:

* **Espécies**
  * Humanos
  * Inteligências artificiais
* **Histórico**
  * Colonização do Sistema Solar
  * Eras
    * Era do Povoamento
    * Era da Expansão
* **Idiomas**
  * Binário
  * Português
  * Potu
* **Localidades**
  * Mercúrio
  * Vênus
  * Terra
    * Bataclan
    * Cidade-capital de Salvador
    * Vale da Lua
    * Lua / Luna
  * Marte
  * Júpiter
  * Saturno
    * Titã
      * Cidade de Bidaya
      * Biblioteca de Jamacaru
  * Urano
  * Netuno
  * Cometa Vânia
  * Prisão de Kotak Jiwa
  * Cinturão de Kuiper
* **Grupos e Organizações**
  * Bruxas espaciais
  * Companhias
    * Companhia dos Correios
  * Cordelistas
  * Junta Consular
  * Partido Unionista
  * TETRO
* **Personagens**
  * Nina Azarova
  * Namim
  * Omar Ibn-Sina
  * Rey
  * Amira Cardana
  * Lau Agugô
  * Rusti
  * Lene
  * T1M
  * O Pescador de Memórias
  * Bokko Videla
  * Lobo Aurora
  * Dam Huxley
  * Ana Luziana
  * Antônio Saquarema
  * Antônio Candeeiro
  * Leide Hórus
* **Social**
  * Economia
    * Moeda
    * Sistema econômico
  * Política
    * Junta Consular
    * Políticos Conservadores
    * Políticos Liberais
    * Sistemas de governo na Era da Colonização
  * Povos
    * Brasileiros
    * Outras nações
* **Tecnologia**
  * Naves
    * MEMOs
    * Museu dos Sons da Via Láctea


# Planetas

Os planetas que compõem as histórias do Cordel Sideral.


# Mercúrio

Trechos do vídeo-documentário “Memórias muito próximas do Sol”, financiado por meio de doações do Sindicato Mercuriano:

**DORO PATEL**, expedicionário do Consórcio Tumbuctu: “Mercúrio era pó quando a gente chegou lá. Puro pó. O governo terrestre usou uma daquelas bombas CHER na tentativa de criar uma atmosfera artificial no planeta, mas todo mundo sabe que aqueles troços são muito ruins em terraformação… Foi só quando instalaram motores Wiracocha na superfície que a coisa melhorou. Depois disso é que chegamos lá, a gente fazia parte do primeiros destacamento de colonizadores enviado pelo Consórcio Tombuctu, o aglomerado de empresas que venceu o leilão pela colonização de Mercúrio e de Marte. Erguemos com as nossas mãos a primeira tenda pressurizada que ia dar origem à cidade industrial de Caloris, o berço da civilização em Mercúrio”.

**SULLA SIRANDA**, historiadora local: “O plano do Consórcio para o planeta sempre foi estabelecer nele um complexo industrial que atendesse à demanda crescente por produtos manufaturados no Sistema Solar. Queriam aproveitar sua proximidade do Sol para extrair energia dele, alimentando as fábricas. Funcionou. Era uma ideia boa, mesmo. Mercúrio hoje tem mais indústrias que casas, segundo o último censo. Nas poucas cidades vivem os trabalhadores, os humanos e os robóticos. Nessa busca louca por desenvolvimento, a qualidade de vida caiu, mas a dos produtos subiu. Típico. Mais forte que as indústrias mercurianas só o Sindicato Mercuriano, a força sindical mais importante do Sistema Solar. São a única coisa que se interpõe entre a roda do progresso e os trabalhadores (e fazem isso com valentia, às vezes arriscando sua própria vida). Mercúrio se tornou isso: trabalho e luta. Mas que vida humana também não se torna isso com o tempo?”


# Vênus

Trechos de *O Pescador de Memórias*, primeiro livro do Cordel Sideral:

“Agradeci pela dica e segui viagem pela rodovia, cujos três andares cortavam a Cidade de Vênus ao meio. O primeiro deles, no subsolo, era reservado para veículos autônomos; o segundo, onde estava, era feito para naves de pequeno e médio porte; o terceiro era a via drônica, apinhada de robozinhos voadores da pior espécie, que vez ou outra caíam sobre quem trafegava pelas estradas abaixo.

“Vênus é um planeta conhecido principalmente por abrigar o maior hiperporto do Sistema Solar, o Santos-Dumont, em homenagem à primeira pessoa a inventar uma nave de verdade (e voar nela), antes que isso se tornasse matéria básica do currículo escolar. O hiperporto movimenta bilhões de pessoas e trilhões de cargas todos os anos, graças à proximidade da Terra e das fábricas mercurianas.”


# Terra

Trechos de artigo da Enciclopédia Galáctica:

1. As crenças surgidas na Terra foram carregadas para outros planetas, assim como muitas das línguas e hábitos das centenas ou milhares de culturas que se espalharam pelo Sistema Solar. Essa diversidade preencheu o vazio do espaço.
2. A Terra, mais do que o berço da civilização humana, transformaria-se também em seu túmulo, por assim dizer. Tornou-se comum a peregrinação de colonos rumo ao planeta original, quando próximos do término de suas vidas, para que tivessem ali uma morte tranquila e pudessem ser sepultados próximos a seus ancestrais.
3. É curioso notar que o coentro, estopim da 34ª Guerra Civil do Sistema Solar, não era devidamente apreciado por muitos dos povos originários…
4. Das cidades da Terra, nenhuma cresceu tanto quanto sua capital, Salvador, que engoliu cidades menores e adentrou até mesmo as profundezas do mar. É comum ver turistas se aventurando nas águas do Atlântico, em busca de um vislumbre dos domos envidraçados da parte submersa da cidade, capaz de rivalizar até mesmo com as metrópoles de Netuno.
5. “Seremos sempre terráqueos, onde quer que estejamos… rezo, contudo, para que consigamos ser melhores terráqueos que aqueles que vieram antes de nós.” — Magdalena Apuru, botanista mexicana.


# Marte

Trecho de diário pessoal reproduzido em artigo da Enciclopédia Galáctica, escrito por uma soldada durante a 1ª Guerra Marciana, durante as quais forças russas e chinesas tentaram reivindicar Marte e dar início à colonização espacial, sem sucesso. Após a falha das iniciativas dos dois países, devido aos altos custos econômicos e humanos causado pela guerra, ambos removeram-se da corrida espacial, abrindo espaço para outras nações.

“O gosto do sangue se espalha pela boca. Povos inteiros, mortos entre as dunas… o sol a brilhar vermelho no espaço, a lembrança de dias tranquilos a passar pela cabeça… o som dos tiros a furar as memórias. Meu Deus, o que nos tornamos?

“Quantos dias passamos perdidos, Mara? Quantos dias se passaram desde que nos separamos? Essa guerra, tão descabida, me faz ter certeza de que o gene do mal é o nosso mais velho ancestral. Dele viemos e por causa dele sucumbiremos entre as estrelas da Via Láctea.

“Amaldiçoado seja o primeiro russo que se apoderou desse planeta; amaldiçoado seja o primeiro chinês que questionou a sua posse! Que sejam amaldiçoadas suas bocas, instigadoras de batalhas, e caiam suas mãos, levantadoras de armas… seus olhos, desejo que se queimem, pois ao verem a destruição causada a pedido de suas pátrias, preferiram fechá-los do que se compadecer dos que morriam ou socorrer os aflitos.

“Esse planeta é vermelho como o sangue que nos obrigam a derramar em sua terra. Quando, anos mais tarde, tudo for esquecido e essa batalha não passar de história antigas e desacreditada, dessa terra brotarão cidades e das cidades, colherão os frutos de um futuro dourado… mas sob o solo, Mara, lavado de suor e lágrimas, estarão para sempre sepultados os esqueletos da única verdade humana: somos filhos do mal e o mal nos encontrará no fim.”


# Júpiter

Ah, Júpiter! Suas belas praias de areia dourada e águas verde-esmeralda, as florestas cheias de longas árvores com cascas feitas de cristal, o céu azul como o peito de um pardal netuniano… como descrever com justiça tão majestoso planeta, lar de uma recente — porém ancestral — cultura?

Quando os primeiros tropeiros espaciais (nome pelo qual ficaram conhecidos os colonizadores brasileiros) puseram os pés em Júpiter, encontraram um planeta mal terraformado e praticamente inabitável. As condições inóspitas eram reflexo do falho programa espacial da Overa (a iniciativa colonizadora brasileira), que havia sofrido severos cortes orçamentários, precisando recorrer ao empréstimo de tecnologia de segunda mão do Consórcio Pan-americano.

A falta de equipamentos e de pessoal qualificado só não levou ao fechamento do programa devido à campanha encabeçada pelo professor Balbúrdio dos Santos, um físico de partículas, notório por ter composto, décadas antes, o grupo de cientistas brasileiros pioneiro no cultivo de antimatéria.

Convocados por Balbúrdio, cientistas espalhados pelo território nacional se uniram voluntariamente à Overa, trabalhando incansavelmente para que o geomágnetron responsável pela terraformação de Júpiter fosse completado a tempo. A falta de recursos levou-os a fazer adaptações ao projeto original que comprometeram a eficiência do dispositivo, mas ainda assim tornaram viável a sobrevivência humana na superfície jupiteriana. Uma vitória, diante das circunstâncias

Frente ao relativo sucesso do primeiro geomágnetron em Júpiter e do estabelecimento do assentamento colonial de Nhoesembé, a opinião pública passou a apoiar o programa de colonização. Um segundo magnétron foi enviado a Júpiter dois anos depois, concluindo o trabalho de terraformação.

Júpiter é um planeta habitado por povos vindos de diferentes lugares da Terra, cuja cultura contemporânea foi amplamente influenciada por suas raízes brasileiras, tendo se originado lá os cordelistas espaciais e a nova ordem dos tropeiros.


# Saturno

Os brincos argolados de Lulu Inkosi só não eram mais majestosos que os anéis de Saturno, planeta que o Consórcio Pan-africano (CCP-AF), comandado por ele, colonizou.

Lulu foi um renomado matemático e empreiteiro lesotiano, pioneiro no desenvolvimento da tecnologia dos elevadores espaciais e das cápsulas de transporte interplanetário (embora essas últimas tenham sido classificadas como uma das formas mais incômodas de se viajar pelo espaço).

Foi dele o arrojado plano de iniciar a colonização de Saturno por seus anéis, com o estabelecimento ali das primeiras fazendas de antimatéria do Sistema, que utilizavam a água em abundância dos enregelados anéis saturnianos para resfriar seus reatores — levando-os ao quase desaparecimento, até que o programa de reciclagem de água espacial entrasse em vigor.

Saturno é um planeta de geografia diversa, em que cânions mais profundos que os maiores abismos da Terra abrigam densas florestas habitadas por uma diversa fauna e flora, fruto do brilhantismo dos geneticistas do CCP-AF. Sua capital, Ingo, situa-se no Vale da Arraia, construída nas montanhas rochosas que o cercam, e é considerada uma das Sete Maravilhas do Novíssimo Mundo.

A principal lua de Saturno, Titã, foi colonizada pelo Consórcio Pan-arábico e hoje abriga a cidade de Bidaya, um importante entreposto comercial.


# Urano

Urano foi o último planeta a ser colonizado no Sistema Solar, cerca de setenta anos após a colonização de Netuno. Seu projeto de terraformação foi conduzido por um grupo de cientistas ligados ao Consórcio Pan-americano (CCP-AM), composto por países das regiões central e sul das Américas terrestres (à exceção do Brasil).

O Consórcio obteve os direitos de colonização após uma acirrada disputa em uma rifa organizada pelas Indústrias Adastra da Terra, que haviam enviado a primeira sonda espacial tripulada para Urano décadas antes. Segundo a Convenção de Habitação Planetária de 2058, a Adastra detinha os direitos de primeira exploração no planeta, que preferiram rifar para que seu CEO pudesse arcar com os dispendiosos custos de seus quatro últimos divórcios.

Apesar da anedótica forma com que os humanos chegaram a Urano, não houve nada de risível na forma como o astro foi transformado em um planeta habitável. O processo foi liderado por um grupo de cientistas proeminentes da Venezuela, Cuba e Haiti, dentre os quais se destacaram Quillen Yudel, Larissa Elidah e Alisse Garoute. O foco do plano piloto foi o estabelecimento de complexos agrários e industriais avançados, em profunda comunhão com a natureza que os cercava.

Para isso, os planejadores se valeram dos progressos da bioarquitetura para fazerem com que cidades inteiras brotassem da superfície de Urano, sem a necessidade de intervenção humana. É por esse motivo que Urano é chamado de “o planeta que respira”: as principais estruturas de suas cidades são vivas e ligadas ao ecossistema planetário.

O processo de terraformação foi, de longe, o mais complexo entre todos os que ocorreram no Sistema Solar, durando décadas. Por muitas vezes, foi quase abandonado durante o percurso, alcançando sucesso em uma das últimas tentativas. “Do pó viemos, ao pó voltaremos, do pó ressurgiremos mais fortes”, declarou Alisse Garoute na cerimônia de chegada dos primeiros colonizadores ao planeta.


# Netuno

É irônico que logo Netuno seja um planeta oceânico. Há quem pense que isso foi uma feliz coincidência do destino, mas nada seria menos verdadeiro… Na realidade, foi um ato planejado pelo arquiteto espacial curdo Ajar Karasholi, a serviço da Frente Oeste do Consórcio Colonizador Pan-Asiático (CCP-AS).

Karasholi foi responsável pelo paisagismo de Netuno. Rapidamente lhe ocorreu que, dada as características geomorfológicas únicas do planeta e seu distanciamento do Sol, ele seria ideal para um ousado plano urbanístico: o projeto consistia na terraformação de Netuno para que se tornasse um planeta unicamente aquático, onde os centros urbanos se localizariam em regiões submersas.

Embora tenha enfrentado forte oposição de correntes contrárias, o projeto foi aprovado pela comissão avaliadora do Consórcio, interessada na exploração da dinâmica social submarina e no acúmulo de vastos estoques de água em um único astro — recurso que tornava-se escasso no restante do Sistema, devido à superpolução. Toda a água da superfície de Netuno seria potável.

A terraformação de Netuno seguiu o plano original de Karasholi, empregando uma variação da bomba CHER, dispositivo de transformação geoclimática que havia sido utilizado com relativo sucesso em Vênus e Urano. De todos os processos de terraformação do Sistema Solar, o de Netuno foi o único a alcançar nota cinco na escala de avaliação empregada pelos consórcios terrestres. Apesar de não ser a nota máxima, foi a maior que um empreendimento humano conseguiu no Sistema.

Hoje, Netuno é lar de milhares de povoamentos submarinos e de uma efeverscente economia. A cidade de Perdên, segunda em importância no planeta e única situada acima do nível do mar, leva o nome da mãe de Karasholi, em sua homenagem. É dela o célebre discurso que marcou o fim do ciclo inicial de colonização por aquelas bandas:

“Nosso povo verteu lágrimas por séculos e essas lágrimas salgaram o chão terroso da nossa Terra… mas você, meu filho, transformou todas as lágrimas em um planeta inteiro. Delas, emergiu o nosso lar.”


